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NINO CAIS ABRE EXPOSIÇÃO NA ARGENTINA

Obras questionam espaço físico e propõem o conceito de "arquitetura das coisas"

by redação bazaar

Por Victor Drummond, de Buenos Aires

Depois de expor no consulado do Brasil em Madrid, Espanha, Nino Cais aposta em Buenos Aires pela segunda vez. Há sempre um toque de instigação no trabalho do brasileiro, que flutua entre tempo e espaço, o real e o imaginário. E isso se dá em sua nova individual, Cuando Estoy Dormiendo, na Galería Gachi Prieto.

Cada recorte de Cais tem um estilo, uma identidade própria que constrói outra realidade; ora cheia de prazer e hedonismo, ora flutuando por sensações que o espectador ainda está por descobrir. Existe uma constante brincadeira entre o corpo e o ambiente que o cerca; a imagem impressa e sua transmutação em objeto. “Meu trabalho tem início com uma apropriação do mundo, a princípio pelos objetos, o que está ao redor”, diz o artista.

As obras enganam o olhar, e fica difícil perceber o que é real e o que foi introduzido pelo artista. Essa soma de colagens e interferências são importantes para o resultado final dos trabalhos. “Primeiro digo que existe um relevo na imagem e crio uma espécie de ‘arquitetura da imagem’. Risco algumas linhas à procura de um esqueleto. Algumas vezes, retiro pigmentos ou parte do papel, comprovando a ‘objetualidade’, como ela funciona como um objeto. Ela não é essa ideia bidimensional. Ou eu corto as bordas do trabalho, discutindo também que o que sustenta não é apenas um paspatur ou uma moldura. Então o que é de fora vai para dentro, o que é de dentro vai para fora.”, ressalta.

O nu é um assunto recorrente nas obras da mostra. Ao se valer de colagens sobre os corpos – muitas vezes imagens retiradas em livros de colecionadores ou sebos –, o artista transforma este elemento como algo intermediário entre corpo e espaço. “Quando resgato tudo isso, acabo me deparando com a ideia de que o nu é muito recorrente na história da arte. Antes da existência da fotografia, sempre foi um assunto importante na pintura. Fui seduzido por essa ideia. O corpo, ideal que a gente posiciona através da imagem”, diz ele.

Essa quebra com convenções geométricas eleva a exposição de Nino à surpresa de se encontrar volume nas imagens e certo ruído na visão.

Fuente

Gachi Prieto. Buenos Aires, Argentina.